terça-feira, 13 de junho de 2017

Quando morrer...



Quero que saibas que foste a minha vida. Quero que saibas que sinto que toda a minha vida foi um percurso para me tornar todos os dias mais tua e te conseguir ver e sentir melhor. Quero que saibas que chorei sempre que te vi a ser maior e que sofri sempre que sofreste e que saboreei todos os segundos e minutos das tuas conquistas e tentativas. Quero que saibas que todos os dias tentei encontrar formas e maneiras de te fazer feliz e que não te faltasse nada. Quero que saibas que sempre que falhei foi depois de tentar o melhor. Que todas as decisões que tomei, mesmo as erradas, foram a pensar no melhor para ti. Que me baixei para te ouvir, que te abracei quando choraste, que ri com as tuas palhaçadas, que te expliquei as coisas, que te contrariei, que te deixei ser, que te deixei ir de galochas praticamente no Verão para a rua só porque querias muito, que te dei muita maminha, que adorei o teu cheiro a suor, que adorei ver-te tua, que me lembrei para sempre de quando me começaste a chamar, que me lembro do nosso desespero em acertarmos a dança quando éramos as duas pequeninas e tu tinhas acabado de nascer, que adorei ver-te de longe antes das tuas amigas dizerem que cheguei, que fui tão vaidosa de nós as duas, que odiava acordar-te, que sempre te disse que és o amor da vida do pai e da minha, que te ensinei o que é amar e ser amada, que te ajudei a saltar, a correr, a andar, a mergulhar, a respirar pela boca, a tomar banho, a por creme, a cortar as unhas, a pentear... Que, mesmo que não te dissesse, sabia quando estavas apaixonada e quando as coisas estavam menos bem. Era daí que vinham aqueles abraços e aquelas saídas a duas. Só nós. Que gostei de te ouvir a respirar durante a noite. Que quando tratava de ti e estavas doente era assoberbada por um super-poder que me impedia de ficar cansada. Que adorava tomar banho contigo aos domingos e deixar a água morna bater-te nas costas enquanto sentia a tua barriga. Que não houve nada pior que ver-te tremer de convulsões e não te poder ajudar. Que beijei e senti esses pés sem nunca antes terem tocado no chão. Que saíste de mim. Que eu me tornei o meu melhor eu graças a ti. Que mudaste o meu mundo. Que nunca na vida me voltei a sentir sozinha. És o maior amor que alguma vez senti e é um privilégio ser tua mãe. Sei. Sei que vais ser uma mulher fabulosa, com um coração enorme e com uma cabeça que não te faz mal.

Tantos abraços que te dei, tantos beijinhos que, mesmo quando eu morrer, sei que o meu coração vai morar dentro de ti, onde sempre morou. 

Que os leves aos dois para o peito da tua filha. 



Fotografia - Joana Hall





✩✩✩✩✩✩✩✩✩✩

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47 comentários:

  1. É para concorrer com a carta pulindérica da outra?

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    1. Não. Era porque estava triste e me apeteceu canalizar para a escrita.

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    2. Realmente à muita inveja a correr nas veias de certas pessoas, nossa que amargura que praí vai!
      Joana que carta linda, parabéns!

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    3. Lindo, lindo Joana!
      Existem momentos em que escrever nos alivia tanto...
      PS: Caramba, que existem anónimos tão mauzinhos e com vidas, formas de pensar e atitudes tão perfeitas!

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    4. E fez mt bem!
      Maravilhoso :)
      Beijinho
      JM

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    5. Que vida tão triste esta anónima deve ter.Tenho tanta pena de gente assim mal amada!Tome lá um abraço para se sentir melhor (e se me der a sua morada envio-lhe um dicionário,porque se é para demonstrar a sua dor de cotovelo pelo menos faça-o sem transparecer a burrice)
      Ana

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    6. Tinha de cá vir esta malta anónima...
      Texto bonito, que a Irene gostará de ler daqui a uns 35 anos :-)

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    7. Joana uma senhora não tem ouvidos nem responda a estes anónimos idiotas.
      Linda declaração de amor, não te entristeças e sê forte.
      Vai correr tudo bem
      Margarida

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    8. Que maldade...

      Beijinho Joana *

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    9. Oh Joaninha não te dês ao trabalho! Tens noção que esta pulinderica é uma hater sem categoria? Ela segue o vosso blog e leu a carta linda da JPB, assim como também leu esta carta linda que escreveste!
      Oh pulinderica, a resposta à tua falta de amor, não está no ódio!

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    10. Ou menos se é para mandar vir, escreva-o com bom português
      ah e a Joana Gama ganha bem à Joana Paixão,mas na boa

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    11. Mas isto agora é competição de quê? Gosto das duas, mas prefiro mil vezes quando a Gama faz textos divertidos, acho que agora estão as duas muito parecidas, sendo que acho os da Joana Gama mais chatos. Quando se ouve o cerebro a fumegar e a dissecar tudo muito, os da educação então chateiam-me tanto que quando percebo o tom, passo logo à frente. Este por acaso gostei, mas é raro sentir coração, sinto sempre muito mais cabeça. Para sentir cabeça e racionalidade prefiro os de humor, sempre divertem. E isso tem estado a faltar - o que se percebe tendo em conta a fase da vida. Mas espero que não percam esse tom que tanto vos caracterizava, principalmente a Joana Gama, e que me fazia cá vir.

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  2. Um sentimento tao bem tao e escrito e exteriorizado❤ Faço minhas as suas palavras!!!!

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  3. Das coisas mais bonitas que li nos últimos tempos <3 Ainda não sou mãe mas caí neste blogue por curiosidade e não consegui partir. Inspiras-me muito, Joana, enquanto mulher e enquanto mãe da linda Irene. Sei o que é ter o coração do avesso e só o conseguir traduzir na escrita, só assim, com o coração a pulsar do lado de fora, conseguimos sentir tudo, ser tudo e ser mais. Obrigada por tudo! Abraço-te*

    p.s.: estava para aqui a rir-me, se é para criticar ao menos faziam-no sem erros ortográficos, raio do anónimo "pulindérico"!

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  4. Estrondoso Joana!! Amor em estado puro 😍👏🏻

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  5. Boas Joana, bolas.... tantas e tantas vezes que me revejo nos seus textos. Mas este deu cabo de mim. Este confessa as coisas que nunca tive a coragem de confessar a ninguem. Este foi tirado da minha cabeça directamente para o seu papel. Este faz-me ter tanta vontade de a convidar para um café daqueles com lágrimas e risos (embora a distância o impossibilite acho). Este faz-me ter vontade de lhe escrever e quem sabe me tornar sua amiga virtual. Porque mais ninguém compreende a minha cabeça apaixonada de Mãe (e autodestrutiva por vezes) como alguém que escreve assim. Posso?
    Beijinhos e bem haja, SSP

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  6. Adorei e vou roubar posso??? 😄
    Sou eu todinha este amor que se apodera de nos taooo taooo bom
    14 meses de amor, ser mãe a melhor coisa da vida 😍 ❤olivia❤

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  7. lindo.. Consegue pôr em palavras tudo o que sinto quando olho para o meu menino.. Obrigada!Paula, mãe do Tomás.

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  8. Eu sou mãe.. quem me dera escrever assim, digno de ser analisado numa aula de literatura :) diz tudo o que queremos dizer mas não sabemos como. A Irene tem uma mãe incrível.
    Sou " conhecida" por não gostas de pessoas. Gosto de si.

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  9. Gosto da tua escrita, porque me identifico em muitas coisas contigo. Perdi a minha Mãe antes de ter oportunidade de lhe dizer uma série de coisas... creio que o que ela me diria não andaria longe disto. Obrigada Joana❤️

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  10. olha aí o eyeliner, Joana! muito mimo <3

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  11. Que canalizes, sempre, a tua tristeza para a escrita. Porque, primeiro, adorei ler e, segundo, estou certa que no fim deste texto fabuloso não estarias tão triste.

    Um beijinho, força para todos os momentos.

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  12. Joana.....tão triste.....parece uma carta de amor de despedida. Mas muito triste. Como filha que já perdeu a mãe digo-te que se lesse algo assim da minha mãe ficaria muito triste. Nenhum filho deve ser a razão de viver dos pais. Acho que não é assim que funciona, mas claro isso sou eu. A parte maternal nós sabemos e sentimos sempre. É a outra parte que nos fascina: quem foi realmente a minha mãe e o que ela deixou no mundo e nos outros. Eu não tenho um blog pq não seria capaz de expor algo tão privado como a minha família e os meus sentimentos, mas considero escrever um livro para deixar aos meus filhos - a falar da avó sobretudo q eles não conheceram e a história de amor dos pais (mesmo que um dia acabe) e tb dos avós pq é realmente fantástica. Considere escrever tb essa sua história para a Irene em privado pq a Joana escreve muito bem. Beijinhos e não fique triste

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    1. Concordo com esta anónima, muito porque a carta que escreveria ao meu filho seria muito diferente desta... porque e só porque teria a mesma intensidade de amor que não se explica, mas não estaria tão carregada de tristeza, como me parece que esta está. A vida dá muitas e muitas voltas, a Joana escreve lindamente e é uma mulher cheia de força, sugiro que lhe volte a escrever uma carta semelhante quando o ânimo for outro. Um beijinho
      Sandra

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    2. A vida dá voltas. É isso mesmo. O que caracteriza e distingue a Joana é o humor. Eu, como mãe falo, que às vezes os filhos também nos retiram doses de bom humor. Não é fácil nada fácil e mesmo para quem tem toneladas dele... às vezes dá vontade é de chorar como a Charlotte da Sex and the City no filme em que se trancou na despensa eheheheh. Vamos lá a arrebitar Joana. A Irene é a miúda mais gira da Blogosfera toda!!!

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  13. Lindo texto! Não há como não se emocionar com tanto amor!
    Ana O.

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  14. Que maravilha, revejo—me em cada palavra, em cada sentimento <3

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  15. Maravilhoso 💖💖💖

    Um beijinho 😘

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  16. Faz bem desabafar! Fez bem em fazê-lo!
    Ignore quem não o consegue fazer e por isso deixa comentários desnecessários!
    Força! Beijinhos

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  17. Tão, mas toa, mas tão lindo o texto.....
    Estou a chorar de tão comovida que estou, continuo a chorar e agora também....
    Que lindoooooooo
    Sabes que o que escreveste é o que grande parte de nós sente, só que não o sabe escrever como tu ❤️
    É exactamente o que me vai bem cá dentro, e tudo e tudo e tudo!
    Um abraço Joana, um abraço bem forte de uma mãe para a outra!
    ❤️
    Continuo a chorar, malditas hormonas! E já lá vão 13 meses!

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  18. Na grande maioria dos casos o amor de uma mae/pai por um filho é o maior e mais forte que existe, mas esta obsessao e o facto de nao ter vida para alem da sua filha nao me parece saudável. Para ambas. É a minha opiniao. Até mete uma carts Tao grande nos ombros dela que um dia ela podera nao 'aguentar'. Deixe a ser livre,deixe a ter uma Vida. Tenha e viva tambem a sua.

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    1. Não podia estar mais de acordo com o comentário deste anónimo...
      A Joana às vezes parece que se anula totalmente com a questão da maternidade.
      E que tal criar um blog independente com o título não de "a Mãe é que sabe", mas de "a Irene é que sabe"? Afinal é a Irene que decide tudo e toda a vida da Joana gira exclusivamente em torno da filha.
      Esta obsessão pode vir a asfixiar a Irene.

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    2. O texto é bom mas o conteúdo é pesado. Concordo em absoluto com este anónimo. Esse amor maternal de tão intenso parece-me obsessivo. Os filhos são de longe o melhor que podemos ter mas sempre acho que há mais vida para além da maternidade. Beijinho para a Necas que é linda.

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  19. Pensei ser demasiado melancólica quando o meu pensamento voava nesta direcção.. Tantas vezes transformo os meus medos e erros em lágrimas e letras... Resulta! Fico logo mto mais calma e depois de ler o q escrevi, entendo q não há razão para alarme.. Q o importante é q ela seja feliz. Q cada dia seja tão bom ou melhor q o anterior.. É tu inspiras-me Joana! A Irene tem mta sorte e graças ao amor q lhe dás ela vai saber.

    Olga sousa

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  20. Texto maravilhoso!! Parabéns!!! Uma vida muito feliz para si e para a sua filha! E força! Beijinhos

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  21. É tão isto...♡ Obrigada

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  22. Já vi várias pessoas em consulta filhas de mães assim... ainda vai a tempo de deixar de ser assim, é nova e informada. Isto não é normal nem saudável!

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    1. A anônima das 19.25 da consultas de que exactamente? De tarot talvez? Porque se for profissional de saúde a diagnosticar normal/main normal numa caixa de comentários com base num TEXTO carregado de amor, deixe aí ficar o seu número de cédula pessoal que eu terei imenso gosto em contactar a ordem. "Você é nova e informada" Que absurdo!!!- SSP

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    2. Anónimo das 23:22,totalmente de acordo.Já não é a primeira vez que certas pessoas vêem aconselhar as Joanas, a ter apoio ir a consultas.Então deixe me dizer lhe anónimo das 19:25 que sou médica,e não é por isso que venho comentar em blogues que precisam de apoio psicológico.
      Primeiro, porque nem conheço as pessoas
      Segundo, é um comentário muito gratuito sobre a vida de quem não conhecemos,ou conhece a Joana? ahhh bem me parecia....
      Terceiro, quem é você para vir aqui dizer se é ou não normal?
      Mas olhe, visto não ser normal colocar este tipo de comentários em blogues de quem não conhecemos,sim isto de normal não tem nada pode vir gratuitamente ao meu consultório que eu atendo-a e estudo a sua situação.
      Recebo-a com todo o carinho
      Posso deixar lhe a morada do meu consultório
      Bjs

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  23. A Joana está a passar uma fase difícil. É natural que tenha estes momentos de tristeza, melancolia e dor.
    O que escreve revela um momento de fragilidade imensa. Espero que aos poucos vá ultrapassando isto, se consiga sentir mais forte e serena.
    No entanto, apesar de toda a tristeza patente no texto, também se nota um grande apoio na Irene. E isso não é saudável. Nem para si nem para ela.
    A Irene não pode ser a sua rede. A Irene não pode ser a razão pela qual: " nunca na vida me voltei a sentir sozinha".
    Nós temos de encontrar o nosso equilíbrio, a nossa serenidade e bem estar em nós próprios e não nos nosso filhos.
    Não os vamos amar menos por isso e vão continuar a ser as pessoas mais importantes da nossa vida. Mas primeiro temos de nos bastar a nós próprios.

    Um beijinho para si
    Rita

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    1. Os filhos são para voar.
      Eu sinto um amor sem limite pelo meu filho. Mas quero e luto (porque às vezes é fácil recolhermo-nos no colo dum ser meigo, carinhoso, doce, sem maldade, pureza em bruto...) para que esteja preparado para o mundo sem o peso de ser filho da mãe.
      As crianças absorvem toda a nossa energia, seja ela positiva ou negativa (já presenciei tanto isso) e não devemos encurralá-los em sentimentos que lhes possam limitar a sua viagem.
      Temos de estar bem (o melhor possível), para que os nossos filhos também se sintam bem. Se sintam amados, acarinhados, mimamos, mas sentindo que podem partir na sua aventura na vida, sem o peso de "abandonarem" a mãe/pai. Podem partir. O pai/mãe vai estar cá na sua vida, que já existia antes da parentalidade, mas agora com os braços sempre prontos para os receber de volta.

      Isa

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    2. Muito, muito isto: a Irene não pode ser a razão pela qual não se volta a sentir sozinha. A Joana precisa de se bastar a si mesma como mulher adulta e autónoma que é.

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  24. Nunca comento o blog. Mas hoje não consigo ignorar este post e comentários associados. Não leio um texto triste, obsessivo, deprimente nem doentio. Leio um texto de amor, de reflexão, de paixão, de sobriedade, do ser e sentir, do estar, do momento, do respirar... Não identifico nenhuma fragilidade neste texto. Leio algo verdadeiro, real e forte. Como a vida. Como a aceitação. Como o "aqui e o agora".
    Joana Gama não te conheço mas gosto de ti.
    Beijo,
    Joana da Silva (a que já teve um minuto de fama aqui no passado heheheh).

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